segunda-feira, 31 de março de 2014

espelho.

toda a Razão e mais alguma,
é conjunto vazio de coisa nenhuma.
a verdade está na mentira,
de quem sofre martirizado pela vida,
eternamente agrilhoado, sem saída.

tanta dor.
tanto crime em tanto amor
é reflexo.
de alguma coisa é o reflexo.
mas já não sei bem o que contar,
por isso canto.
quando ouço o Fado toco a guitarra,
enquanto rezo:
um dia ela tocará sozinha,
porque sou amaldiçoado.
com a agulha do destino no meu braço,
desapareço vendado.

sem cessar,
trituro o nosso reflexo
e a impressão que paira no meu olhar.
esta Saudade é a memória,
quando o Tempo parece demorar a matar.

terça-feira, 11 de março de 2014

zero.

está aqui a poesia.
aqui estão as fotos da memória
em que estás a olhar para mim
a olhar para o nada,
num sofrimento que demora.
parabéns, ser, és especial.
pena é ver-te glacialmente igual
a tudo o resto,
indiferente e trivial.

porque não há mera lembrança
sem uma litografia do pensamento,
enraizada profundamente,
bem-cá-dentro.
por isso dissolvam-se novamente os laços.
já é hora.
há muito que ecoa na paisagem
a doce melodia da derrota.