por tudo o que não foste:
tudo ficou mais calmo agora.
mal me seguro,
mas continuo até te acompanhar
na poeira espacial em que flutuas,
ou no Céu em que te fizeram acreditar.
ou onde quer que Sejas agora
e em todo o lugar que visites ou não em seguida.
às vezes penso que se por negra magia voltasses,
mesmo que através da sombra muda da noite gelada,
eu fazia tudo da mesma forma,
e (sei que) nunca me atreveria a pestanejar:
percorreria novamente todo o clemente rumo da minha vida,
até que à vida a morte me levasse novamente.
assim como tu, muito embora nada disto te comova.
é de recordar que sempre desconheci as razões,
do teu vazio interior, acorrentadas no teu âmago.
e certamente que toda a tua boa-acção
não passou de uma espécie de tentativa de remissão
da velha pena que pagavas por todos os teus pecados.
mas isto agora é indiferente e eu já o deveria saber,
assim como já deveria conseguir acordar sossegado,
mas encontro-me eternamente destinado a relembrar o facto
de não ter escrito para ti algo mais do que o simples nada,
no vazio de emoção em que jaz o teu pesado epitáfio.
[28.05.1919]
quinta-feira, 29 de maio de 2014
sábado, 3 de maio de 2014
pessoa(s).
adoro a tua ternura apática.
banho-me com os excedentes do teu ser
e quase que me divirto.
adoro ver mais uma réplica do que sempre foste,
porque olho através desta minha forma renovada.
eu existo agora apenas deitado no meu banco de jardim molhado,
contando estórias aos meus dedos do pouco que resta dos teus traços.
mas para sempre relembro todo este malicioso resultado viciado,
e aí imagino o teu semblante embrulhado em fina película de celofane,
enquanto sucumbes por entre sujos gritos-afiados.
por outro lado vejo como um todo o que já lá vai,
e tudo me aparece como um guião graciosamente bem-concebido.
nunca tinha vivido num reflexo tão nítido,
e agora sinto que descobri todo o teu tão-desejado sentido.
por isso mente novamente; mente à tua vontade para o ar,
e vagueia pela secura das ruínas do teu deserto da razão.
sou apenas um mero déjà vú que olha para ti agora,
no momento em que te escondes à vista de todos,
e que finges sentir mais uma vez, só porque te dizem que é o natural:
mas bem-lá-dentro sabes nunca o hás-de conseguir,
sabes melhor que ninguém que teu teatro pouco ou nada tem de factual.
banho-me com os excedentes do teu ser
e quase que me divirto.
adoro ver mais uma réplica do que sempre foste,
porque olho através desta minha forma renovada.
eu existo agora apenas deitado no meu banco de jardim molhado,
contando estórias aos meus dedos do pouco que resta dos teus traços.
mas para sempre relembro todo este malicioso resultado viciado,
e aí imagino o teu semblante embrulhado em fina película de celofane,
enquanto sucumbes por entre sujos gritos-afiados.
por outro lado vejo como um todo o que já lá vai,
e tudo me aparece como um guião graciosamente bem-concebido.
nunca tinha vivido num reflexo tão nítido,
e agora sinto que descobri todo o teu tão-desejado sentido.
por isso mente novamente; mente à tua vontade para o ar,
e vagueia pela secura das ruínas do teu deserto da razão.
sou apenas um mero déjà vú que olha para ti agora,
no momento em que te escondes à vista de todos,
e que finges sentir mais uma vez, só porque te dizem que é o natural:
mas bem-lá-dentro sabes nunca o hás-de conseguir,
sabes melhor que ninguém que teu teatro pouco ou nada tem de factual.
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