por tudo o que não foste:
tudo ficou mais calmo agora.
mal me seguro,
mas continuo até te acompanhar
na poeira espacial em que flutuas,
ou no Céu em que te fizeram acreditar.
ou onde quer que Sejas agora
e em todo o lugar que visites ou não em seguida.
às vezes penso que se por negra magia voltasses,
mesmo que através da sombra muda da noite gelada,
eu fazia tudo da mesma forma,
e (sei que) nunca me atreveria a pestanejar:
percorreria novamente todo o clemente rumo da minha vida,
até que à vida a morte me levasse novamente.
assim como tu, muito embora nada disto te comova.
é de recordar que sempre desconheci as razões,
do teu vazio interior, acorrentadas no teu âmago.
e certamente que toda a tua boa-acção
não passou de uma espécie de tentativa de remissão
da velha pena que pagavas por todos os teus pecados.
mas isto agora é indiferente e eu já o deveria saber,
assim como já deveria conseguir acordar sossegado,
mas encontro-me eternamente destinado a relembrar o facto
de não ter escrito para ti algo mais do que o simples nada,
no vazio de emoção em que jaz o teu pesado epitáfio.
[28.05.1919]
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