domingo, 27 de abril de 2014

tecido(s).

vejo a tua alma
na luz morta da sombra do dia
a pairar sobre teu corpo despido,
que ferve-quente de ousadia.
sofres entre gemidos
quando procuras algo bem-dentro de ti.
e é neste desabrolhar viçoso
que erradicas toda a melancolia.


sem demora,
sucumbes novamente à posição ingrata.
ficas repleta de esplendor
com toda esta sensação ilusória.
e quando o oceano escorre forte a jusante
todo o universo distende:
este chicote oferece mais que simples dor,
é a outra margem da ponte-da-memória.
nesta efémera magia do momento
a maresia torna-se fumo de baunilha-em-incenso
em que todas as lágrimas secam,
simplesmente porque perdem o alento.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

nota.

sonho em pensar sentir,
em semear uma vida-em-rosa idílica.
sonho em sonhar,
dormir e não acordar.
sem tentar, somente quero escapar
e encontrar-me na saída.

em pequeno eu era belo,
tão singelo e verdadeiro.
não me faltavam as palavras,
mas morria de tristeza.
tinha em mim toda a potencia,
mas o infinito é traiçoeiro.

eu sou uma miragem.

dia-após-dia, ainda tento encontrar
o meu caminho de volta.
de volta para o nada, a minha casa.
o caminho faz-se ao deambular.
como todos, como sempre.
sem sentido.
ao elevar-me agora através do ar,
recomeço.

e nada mais resta para contar.

sábado, 19 de abril de 2014

fome.

O brilho matutino desperta o azul cobalto
do meu cigarro quase esquecido.
agora reencontrado,
imerso em memórias de brilhantes vitórias,
muito meio adormecido.

tudo é uma noite em branco
que se estende por mais um dia em cinzento.
acordado:
sou apenas uma balança com fome de ouro,
em mero acaso do pensamento.