terça-feira, 23 de setembro de 2014

Heliopausa

vejo os risos calcinados
do tempo em que éramos crianças.
inseguras de si, seguras de um futuro dourado.
agora somos só falhanço assegurado.

e eu tinha um caleidoscópio amarelado,
mas nunca o apontei para as estrelas
pois não sabia que era lá que eu habitava
assim como os nutrientes de todo o futuro e passado.

e todo este mistério que se esconde
por entre estes frágeis dedos molhados,
quando conto todas as promessas não desonradas,
e as tentativas que não se revelaram frustradas,
é graciosamente desvelado:

isto é apenas um temporal mesquinho de chuva-morta
que parece cair (para) sempre ao contrario.
e as agulhas do tempo alinham-se quando já não contamos:

finalmente,
todos seremos livres e decapitados.


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

erro_404

insomnia

e o gentil gume da morte da tua beleza
não durmo para pensar
no que poderia ser ao acordar
agarrado ao hospício que eleva esta marquesa

tão alto que já não cai

pelo que me parece É indefinidamente perdido
em toda profundeza deste espaço infinito
tão dentro que já não sai

assim como todas as margens que comprimem
o fluxo livre de todas as águas clandestinas