adoro a tua ternura apática.
banho-me com os excedentes do teu ser
e quase que me divirto.
adoro ver mais uma réplica do que sempre foste,
porque olho através desta minha forma renovada.
eu existo agora apenas deitado no meu banco de jardim molhado,
contando estórias aos meus dedos do pouco que resta dos teus traços.
mas para sempre relembro todo este malicioso resultado viciado,
e aí imagino o teu semblante embrulhado em fina película de celofane,
enquanto sucumbes por entre sujos gritos-afiados.
por outro lado vejo como um todo o que já lá vai,
e tudo me aparece como um guião graciosamente bem-concebido.
nunca tinha vivido num reflexo tão nítido,
e agora sinto que descobri todo o teu tão-desejado sentido.
por isso mente novamente; mente à tua vontade para o ar,
e vagueia pela secura das ruínas do teu deserto da razão.
sou apenas um mero déjà vú que olha para ti agora,
no momento em que te escondes à vista de todos,
e que finges sentir mais uma vez, só porque te dizem que é o natural:
mas bem-lá-dentro sabes nunca o hás-de conseguir,
sabes melhor que ninguém que teu teatro pouco ou nada tem de factual.
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